O espírito da coisa



Fundada há mais de 30 anos como sociedade sem fins lucrativos, a SAJEP conta sobretudo com o inconformismo da grande maioria dos seus moradores que não querem ver sua qualidade de vida prejudicada pela falta de um rumo definido para o bairro. As lutas pela defesa do seu território passaram a ter, com o passar dos anos, uma conotação mais abrangente de lutas pela preservação do habitat urbano em geral.

O Jardim América, criado em 1920 conforme projeto dos urbanistas ingleses Barry Parker e Raymond Unwin para a Companhia City, responsável pelo empreendimento, tinha se demonstrado, ao longo dos anos, um bairro onde a natureza e as necessidades humanas estavam em perfeito equilíbrio. Por que não preservar esse equilíbrio tão válido? Ou melhor, por que não transferir para a Cidade os princípios de bairros horizontais só de casas, Z1 ou Z9, já que isso renova o ar e desafoga o ambiente urbano? E por que não estabelecer um melhor equilíbrio entre prédios altos e casas, em manchas urbanas bem planejadas onde o verde e os espaços abertos resultariam em benefícios para todos? A Cidade poderia ser não o território dos automóveis, mas um espaço onde "ilhas de tranqüilidade", constituídas por bolsões de tráfego, compatibilizariam-se com as necessidades de circulação através de uma rede extensa e inteligente de transportes coletivos, complementados pelos individuais.

Esses ideais foram logo compartilhados também pelos moradores do Jardim Europa, Jardim Paulista e Jardim Paulistano, que se juntaram e deram mais força à Sajep.